Esse texto foi feito há alguns meses. Minha amiga me deu um parágrafo para que eu pudesse desenvolver e deu nisso:
Sob a égide do teu sentimento colocas os teus falsos argumentos, as tuas falsas razões e a tua falsa percepção da realidade.
Sob a vil e infame mentira, faz-te de vítima e faz corações rígidos como diamante parecerem cristal.
No teu conto de fadas deformado, faz-me de vilã! Essa vossa vilã sofre e envolvida pela raiva passa as noites a temer falsas boas intenções.
No espelho da tua mentira vê-se a tua real forma: a de quem com a desculpa de amar, vende sofrimento e autocomiseração.
És infame, és mesquinha, és vil e ignóbil !
Nas tuas meias palavras eu encontro tua alma completa e sinto ojeriza de tamanha pobreza de espírito. Não lutas, somente foges com a tua covardia deixando rastros de destruição por onde passas. O chão que tu pisaste tornou-se infértil e rota de desgraças.
Quer destruir o meu sonho, a minha razão especial, mas expulso tuas maldades com a mesma cólera com a qual protejo o meu amor.
Arrumas desculpas torpes, faz-se de vítima, ameaças a felicidade que nasceu sem a tua maldição porque és incapaz de tentar ser feliz sem destruir os castelos de cristais alheios.
Despertas em mim o sentimento desprezível da pena e o sentimento divino da compaixão. Nos meus olhos sóbrios e dissimulados nunca enxergarás o mal causado. Porque me nego a dirigir minha íris a quem difamou em troca de pena alheia e falsos discursos, a glória do amor que não pode destruir.
terça-feira, 3 de novembro de 2009
As ignóbeis razões de um ser
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quinta-feira, 20 de agosto de 2009
Redação de livre associação.
Há muito que não se conhece dessas noites nas quais olhei as janelas dos prédios distraidamente. Dessa loucura que não consigo dividir com ninguém. Ruas e mais ruas onde passei despercebida. Ainda sinto o vento dos carros bem perto dos meus cabelos e rosto, das vezes em que quis que algum deles passasse por cima. Agora não adianta mais me procurar por esses lugares, até porque não sei onde estou. Coloco os fones no ouvido e, ao mesmo tempo em que não ouço as pessoas, procuro não ver nada. Ignoro espelhos e vitrines. Desvio das pessoas.
Hoje não é um dia bom, mas talvez amanhã eu tenha uma surpresa. Não me peça calma, não me peça sanidade. Vou dizer na sua cara que não me importo com o que você acha. Vou gritar em público. Ok, talvez eu precise de um comprimido, talvez ou definitivamente eu não esteja bem. Mas que pode dizer isso? E o outro lado de mim? Em breve pensarei um pouco mais em mim. Poderá ser durante o meu sono... Por um tempo, por um momento, agora mesmo... como eu costumava ser?
Ataque de nervos. Estou rasgando as minhas roupas e puxando o meu cabelo. Um dia você talvez lembre de mim. Não me diga o que fizer agora. Estou no modo offline e isso pode produzir uma certa raiva em você, tudo porque não sou mais aquela menina que acordava ao domingos e cantava “Sunday Morning”. Ainda estou tentando não me culpar por ter tomado consciência da complexidade da vida.
É impossível viver assim? Então não me espere. Não consegue suportar os cento e dez decibéis do meu silêncio? Devo parar? Onde? Aonde?
O dia está frio, Prefiro ficar sozinha e pegar a minha bicicleta. Preciso do vento. Preciso ouvir “My Girl” e cantar de forma desafinada e doce.
Você precisa de todo esse dinheiro? Tudo o que quero é liberdade. Quanto custa? Pode vender minhas lágrimas. São os únicos diamantes que possuo, porém, não os quero mais. Um dia terei mais deles, mas não por escolha. É só conseqüência de viver mesmo.
Faça uma pequena oração por mim. Isso mesmo. Por essa menina que você não compreende, não admite e não perdoa.
FAÇA UMA ORAÇÃO POR MIM!
Não, eu não tenho jeito. Não, minha mão será sempre fria. Não, eu não amo tampouco odeio. Estou em algum tempo longe daqui. Cumprindo uma promessa que não sei se fiz.
Postado por Andie às 21:34 3 comentários
quinta-feira, 30 de abril de 2009
Universo Paralelo.
Hoje o dia amanheceu doído. Doído como nunca.
O meu universo exterior usa um certo proselitismo para manter o exterior funcionando segundo as regras dele. Não pode ser o contrário, uma vez que, se o exterior passasse a ter alguma influência sobre o que se passa aqui dentro, provavelmente eu estaria muito ferrada.
Os universos paralelos tomam conta de mim. Mas como são paralelos nunca se encontrarão.
Tenho medo da colisão desses lados.
Talvez minha respiração não resista. Talvez minha pulsação pare.
Enquanto isso, o exterior é dominante.
Choro com os olhos secos.
Os universos paralelos tomam conta de mim. Mas como são paralelos nunca se encontrarão.
Nisso, a matemática é clara. A subjetividade da vida terá que se curvar quanto à esse argumento.
Desculpem a ausência e obrigada.
Postado por Andie às 11:26 1 comentários
sexta-feira, 23 de janeiro de 2009
About them.
Sentimentos?
Ahn?
Palavra difícil de decifrar, de sair da boca e ganhar o espaço. Qualquer que seja o sentimento uma hora ele irá de deixar nua, deixará sua cara à mostra não se importando com maquiagem nem nada.
Sentimentos são prepotentes, são tiranos, são poderosos, são insanos...Dê-me o homem mais racional e calculista do mundo. Deixe que eu faça correr sobre sua veia algum sentimento e ele descerá ao nível humano mais baixo: o do ser suscetível.Do ser que não freia impulsos, do ser vulnerável, do ser impetuoso.
É quase como agir no seu estado de “atavismo”.
Tudo vai por terra, a morte cheia a algodão doce, é difícil demais ficar, é difícil demais ir...
Seja nobre ou mesquinho ele irá dobrar os seus joelhos e te fazer implorar para que ele cesse e ele só tomará maiores proporções, até te tornar inapetente, até suas veias pulsarem mais devagar, até seu coração diminuir drasticamente as batidas.
CHOQUE!
Daí você leva o “choque” que te reanima, não reanima sua vida, reanima o seu coração pífio como se dissesse “você realmente se perdeu.Trate de se reencontrar.”
A vida não vai te ajudar em nada. Até porque é por viver que se sofre assim.
O tempo é incerto, ninguém quer sofrer durante um longo prazo e nem quer que certos sentimentos se esvaiam algum dia.
Esperança? Aonde? Está-se num estado desesperado e desesperançado.
A que recorrer?
Se eu tivesse resposta, eu nunca mais haveria de querer algo tão ameaçador e perigoso como sentimentos.
Mas sem eles, devo admitir, a vida seria ainda pior.
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quarta-feira, 17 de dezembro de 2008
INTERLÚDIO.
Parecia ter sido um desmaio.Acordei e nem sequer queria saber o meu nome.Eu havia chegado até ali e não iria desistir.Não,de forma alguma.É a minha canção que toca lá fora.É a minha dor que merece respeito.É o mínimo que ela exige de mim.
No fundo havia um sorriso de enorme orgulho,.Muitas desistiriam,mas eu sequer cogitei fugir,eu sequer tive medo porque eu sabia que poderia ir até o fim.
A vida é mesmo surpreendente.Juro que é.Nunca esperei momentos como aqueles,mas hoje eu já posso dormir placidamente e se eu não acordar jamais levo pelo menos a minha herança.
O mundo lá fora não vê.Muitas coisas foram quase quebradas.O sangue corria dentro das artérias como tinha que ser.Não havia nenhum tapete escarlate no chão.
Por que alguém deveria entender?
Nem eu mesma posso afirmar que entendo alguma coisa daquelas lágrimas que não eram minhas,mas que são os cristais que enriqueceram essa minha existência sem porquês.
Aquela paz gritante,aquela amnésia,aquela injustiça.Vou destruir ou reverter.
Não há porta que eu não poderei abrir.
Não há palavra dura que eu não poderei partir.
Não há força para me impedir.
Não há caminho que eu não poderei fazer.
Chame de loucura o que Shakespeare chamou de amor.
Prefiro me abster de nomeações.
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quarta-feira, 1 de outubro de 2008
A dificuldade do tema.
Se me perguntassem agora o que sinto eu responderia:sofrimento atípico.Sim,atípico.Os meus cabelos não forma arrancados,a pele não foi maculada com minha hostilidade,a voz não está embargada,estou sentada e não caída e meus olhos não choram.Resolvi (sim,pode chamar de prerrogativa ou petulância) que esta dor é uma prova da minha existência.Ela está aqui,logo,estamos.
Nessa contenção eu nem me reconheço no espelho,mas aos olhos de terceiros sou a personificação do autoconhecimento.Dou sorrisos furtivos,interajo,falo bobagens,questiono,filosofo inocentemente.A questão é:estou viva ou apenas existo?Faz alguma diferença? Sou aquela que foi deixada de lado,aquela que sente frio quando todos sentem calor,aquele que de forma alguma foi amada,aquela cuja presença é facultativa ou prescindível,aquela que volta para casa com os sofrimentos escondidos sob a outra face que ostenta,aquela que dá tchau para crianças desconhecidas que a encaram,aquela que dá boa noite aos animais que presenciam sua volta para casa no meio da noite,aquela que caiu do penhasco,das nuvens e dos sonhos vertiginosos e constatou: “sim,estou viva e existo.”
Agora,e somente agora percebi que meu sofrimento foi mal adjetivado.Ele não é atípico:é híbrido.Ele coexiste com vários “eus”,vários sentimentos e com a mácula.
Mas ele não é de todo algoz porque descansa no colo da serenidade que ainda me resta e me preenche.A herança que ficou da parte da vida que não vivi.
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terça-feira, 19 de agosto de 2008
Narcisismo às avessas.
Quantas mentiras eu já disse hoje?
Sinceramente, não sei.Só sei que são as palavras certas a dizer.Eu nem sequer sei quem ou o quê me tornei.
Adoraria ser amável, afável.Sou só uma réplica malfeita de um monstro que eu mesma criei.Não preciso de ajuda, preciso de controle.Não preciso ficar saudável, preciso me aceitar.Isso inclui sacrifícios, inclui fugas, mentiras, isolamento, lágrimas, força, espírito...
Eu posso muito bem ser forte, sem autocomiseração.Todo dia células morrem, todo dia morro.
Acorde, ponha seu melhor sorriso, ouça as pessoas dizendo que você é uma garota de sorte.Elas não vêem debaixo da sua maquiagem tudo que se passou na noite seguinte quando você socou seu rosto e chorou pedindo a Deus.
Tudo que reflete seu rosto é quebrado sem a menor consideração.Desde o vidro ao cristal.
Há algo que falta na sua vida?
Claro, que sim.O que pode ser perfeitamente sanável.
Agora, e quando falta vida?
Aconselhe-me se puder.
A garota que eu vejo refletida na água pede para não ser mais machucada.
Ela pede, ela ora, ela lê, ela corre, ela dorme com dor e equimoses.
Ela pede a companhia dela mesma.
É aceitável que os outros te abandonem, mas quando você mesma se abandona...Você percebe que se perdeu.
E os espinhos da rosa-dos-ventos não permitem que você se encontre.
Eu seguiria qualquer caminho se encontrasse algum.
Postado por Andie às 20:53 5 comentários

